2026-10-06
Inspeção descarta dano estrutural em ponte entre Guaporé e Anta Gorda; obras nas cabeceiras podem exigir interdição
A ponte que liga a região de Guaporé e Anta Gorda passou por uma inspeção técnica após imagens mostrarem um aparente deslocamento em parte da estrutura. Apesar da preocupação inicial, a avaliação realizada no local não identificou danos estruturais que comprometam a segurança da travessia.
Segundo o representante da empresa responsável pelo acompanhamento da obra Caio Nastari, a movimentação ocorreu no primeiro dos três vãos que formam a ponte. Cada módulo trabalha de maneira independente e possui pontos próprios de apoio e fixação sobre os pilares.
Durante a vistoria, foi constatado que uma dessas fixações se soltou. Com a movimentação normal provocada pelo tráfego, especialmente de veículos pesados, o conjunto acabou sofrendo um deslocamento lateral.
A inspeção, porém, não encontrou sinais de torção ou ruptura nas vigas, transversinas ou demais elementos estruturais. O deslocamento ocorreu de maneira uniforme no conjunto do vão, sem deformações consideradas críticas.
O aspecto que mais chamou a atenção nas imagens foi uma abertura observada nas barreiras de concreto instaladas sobre a ponte. Conforme a explicação técnica, essas barreiras não possuem a mesma divisão existente entre os módulos estruturais. Quando um dos vãos se movimentou, o concreto superior acabou apresentando uma fissura, dando a impressão visual de que a própria ponte havia se rompido.
A avaliação realizada no local aponta que a ponte permanece segura para a circulação de veículos leves e pesados neste momento.
Para corrigir a situação, a estrutura deverá passar por um processo de macaqueamento, procedimento utilizado para elevar e reposicionar o vão. Depois disso, o módulo será levado novamente à posição original e terá sua fixação junto ao pilar refeita.
A ocorrência coincidiu com a chegada da equipe da Ecopontes à região. Os profissionais já estavam se deslocando para iniciar uma nova etapa das intervenções nas cabeceiras da ponte quando começaram a receber fotos e vídeos do deslocamento. Com a proximidade do local, a equipe realizou imediatamente a vistoria.
Além do reparo no vão, estão programadas as obras de contenção com muros de gabiões, estruturas que serão instaladas nas cabeceiras para garantir a estabilidade dos aterros e permitir a conclusão definitiva dos acessos à ponte.
Parte do material utilizado anteriormente nas cabeceiras teve caráter provisório, justamente para permitir que a população continuasse utilizando a travessia enquanto as etapas definitivas não eram executadas. Agora, uma parcela desse aterro precisará ser removida para possibilitar a instalação das contenções.
Uma equipe de topografia deverá fazer a marcação dos pontos onde serão construídos os muros. A partir desse levantamento será possível determinar quanto material precisará ser retirado e qual espaço permanecerá disponível para circulação durante os trabalhos.
Essa análise será decisiva para definir se a ponte poderá continuar aberta durante a execução da obra, se haverá restrição apenas a veículos leves ou se será necessária uma interdição total temporária.
A decisão deverá ser tomada em conjunto com as administrações municipais de Guaporé e Anta Gorda, após a conclusão do levantamento técnico e o alinhamento do cronograma das intervenções.
Apesar da necessidade de ajustes, a avaliação inicial afastou a hipótese de comprometimento estrutural da ponte. O reparo do deslocamento deverá ser incorporado ao trabalho que já estava programado para as cabeceiras, aproveitando a presença das equipes e dos equipamentos no local.
Novas orientações sobre eventuais alterações no trânsito deverão ser divulgadas após o levantamento topográfico e a definição de como será executada a obra.