2026-04-14
Prêmio milionário da Mega-Sena volta ao centro de disputa judicial após mais de uma década
Um dos casos mais polêmicos envolvendo um prêmio superior a R$ 119 milhões da Mega-Sena, no Rio Grande do Sul, voltou a ganhar novos desdobramentos na Justiça. A disputa, que teve origem em um suposto bolão entre servidores da prefeitura de Fontoura Xavier, segue cercada de controvérsias desde 2010.
Na época, os participantes afirmaram que o bilhete premiado era coletivo. No entanto, o valor acabou sendo sacado individualmente por um empresário de São José do Herval, o que levantou suspeitas de fraude, falsos testemunhos e até tentativa de golpe.
Em entrevista à Rádio Uirapuru, o advogado Jean Severo, representante das supostas vítimas, destacou que uma nova perícia autorizada pela Justiça pode ser determinante para o rumo do processo. Segundo ele, uma análise particular já teria apontado indícios de irregularidades, e agora o material será examinado pelo Instituto-Geral de Perícias (IGP).
A defesa também aponta falhas ao longo da tramitação do caso. Entre elas, o envio considerado irregular de materiais para perícia em 2015, quando cópias teriam sido utilizadas no lugar de documentos originais, o que pode ter comprometido análises anteriores.
A expectativa é que a nova perícia seja concluída em até 30 dias, podendo trazer avanços significativos, inclusive com a possível responsabilização de envolvidos e até de instituições.
Nesta semana, o caso voltou a mobilizar manifestações em Soledade, onde um protesto cobrou mais agilidade no envio dos materiais antes da audiência marcada para o próximo dia 29 de abril. De acordo com a defesa, entre 10 e 11 pessoas fariam parte do bolão e teriam confiado o bilhete a uma única pessoa — fator que teria possibilitado a suposta fraude.
A audiência prevista para o fim do mês deve marcar mais um capítulo de um processo que, após mais de uma década, ainda busca respostas e justiça para os envolvidos.