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2026-07-16

Novo tarifaço de 25% dos EUA contra o Brasil começa a valer na próxima quarta

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, atribuiu publicamente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a responsabilidade pela tarifa adicional de 25% anunciada pelo presidente Donald Trump sobre a maior parte das importações brasileiras.

Em publicação na rede social X, Rubio afirmou que o governo brasileiro não negociou com os Estados Unidos "de boa-fé". Segundo ele, as políticas econômicas adotadas pelo Brasil seriam prejudiciais tanto para os norte-americanos quanto para os brasileiros e que Lula teria colocado interesses políticos acima da possibilidade de um acordo comercial.

A sobretaxa foi oficializada nesta quarta-feira, dia 15, por meio de uma ordem assinada por Donald Trump, que determina ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) a aplicação da medida a partir de 22 de julho.

Produtos embarcados antes dessa data poderão ingressar no mercado norte-americano sem a tarifa adicional, desde que desembarquem até o dia 29 de julho. A ordem também prevê exceções para alguns produtos brasileiros, entre eles carne bovina, café e suco de laranja.

A medida tem origem em uma investigação conduzida pelo USTR com base na Seção 301 da legislação comercial dos Estados Unidos, instrumento utilizado para aplicar sanções ou tarifas contra países considerados praticantes de políticas comerciais classificadas pelo governo norte-americano como desleais.

Em resposta, o governo brasileiro divulgou nota oficial classificando a decisão como um "marco lastimável" nas relações entre os dois países. O Palácio do Planalto afirmou que o Brasil não reconhece a legitimidade da investigação conduzida pelos Estados Unidos por entender que ela não segue as regras multilaterais do comércio internacional. Também destacou que o país nunca deixou de negociar para defender os interesses nacionais.

Segundo estimativas do setor produtivo, a tarifa poderá atingir cerca de 21% do valor das exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano. Apesar das exceções previstas, segmentos como siderurgia, calçados, indústria têxtil e produtos manufaturados estão entre os mais impactados pela nova medida.