Mãe evita suicídio de adolescente vítima do jogo Baleia Azul, em Estrela

Publicado em 13/05/2017 11:02:35

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Garota fez mutilações no corpo. Foto: Arquivo Pessoal

 

A mãe de uma adolescente de 15 anos, moradora de Estrela, evitou o suicídio da filha após descobrir seu envolvimento no jogo Baleia Azul. Alertada por uma amiga, a mulher, de 31 anos, procurou o Conselho Tutelar, que encaminhou a menor para atendimento na rede municipal de saúde. A menina passou 12 dias internada no Hospital Estrela, sendo liberada na tarde desta sexta-feira (12).

O envolvimento no jogo começou pelo Facebook, de acordo com a mãe. “Eles (curadores) a convidaram para fazer parte de um grupo. Perguntaram suas características físicas, e então ela caiu”, conta a responsável. Investigado em diversos países, o jogo é composto de 50 desafios diários, enviados para a vítima através das redes sociais. No caso da menina, as tarefas eram transmitidas pelo WhatsApp. Ela respondia com imagens que comprovavam a realização dos pedidos.

Para explicar sua participação no jogo, a adolescente justifica que era vítima de bullying no colégio. Estudante do 8º ano de uma escola da rede municipal, a garota diz que seu peso corporal era motivo de humilhação. A mãe confirma a declaração, ao dizer que “falavam que ela era muito magra e feia. Então ela colocou isso na cabeça e se deixou envolver”.

Disposta a completar a 47ª tarefa, a adolescente entregou suas joias a uma amiga, que questionou a atitude. Foi quando revelou seu envolvimento no Baleia Azul. “A mãe dessa menina estava apavorada e me procurou. Contou o que estava acontecendo, já que ela havia relatado para a amiga. Ela se cortou, entregou as joias e iria se jogar de um prédio”, afirma. A menor confirmou a intenção, e disse que o suicídio estava marcado para o dia que sucedia a descobrimento da mãe.

A mulher procurou a ajuda do Conselho Tutelar de Estrela, que encaminhou a menor para um posto de saúde. “Viram que ela estava cortada e com a mente perturbada”, garante. Foi conduzida para a ala de psiquiatria do Hospital Estrela, onde permaneceu por 12 dias. “Vamos fazer um teste em casa, porque a previsão era de até um mês de internação. Ela vai tomar medicamento e fazer acompanhamento no Centro de Atenção Psicossocial (Caps)”, explica.

Durante a internação, médicos pediram que a mãe ficasse atenta ao uso do aparelho celular, a fim de evitar um novo envolvimento. Adolescentes próximos a ela também estariam no jogo. “Na escola tem mais colegas com esse problema, mas ela tem medo de falar quem são”, afirma a mãe. A responsável garante que a menor está sendo ameaçada pelos curadores, que prometem matar toda a família. Ela nunca esteve com os curadores, visto que o contato só era feito pela internet.

 

Condição psiquiátrica

A Baleia Azul é mais um dos jogos perigos que a internet oferece aos jovens e adolescentes, conforme o médico psiquiatra Fábio Vitória. Ele acredita que a disputa revela a vulnerabilidade dos participantes. “É a ponta do iceberg, pois mostra como estão sem controle e sem o acompanhamento dos pais”, diz.

Mudanças de comportamento devem ser observadas pelos responsáveis. “Isolamento, perda de apetite, mudança no peso corporal, mutilação e irritabilidade são um alerta”, sustenta. Enquanto a menina de Estrela cumpria as tarefas, seu peso caiu de 34 para 28 quilos, fazendo com que o tratamento inclua o uso de vitaminas.

Os pais e responsáveis devem se aproximar dos menores. “Saber o que fazem, com quem andam, os programas que assistem e o que acessam na internet”, alerta o médico. Pessoas que sentem solidão, que não tem diálogo com a família e que sofrem de uma patologia psiquiátrica, como a depressão, são mais vulneráveis ao Baleia Azul.

 

O jogo

O Jogo da Baleia Azul é disputado pelas redes sociais e propõe desafios macabros aos adolescentes, como bater fotos assistindo a filmes de terror, automutilar-se, ficar doente e, na etapa final, cometer suicídio. Aparentemente começou na Rússia, mas há casos em suspeita em todo o mundo. Em 2016, fontes diversas chegaram a divulgar, sem confirmação, 130 suicídios supostamente vinculados a comunidades online identificadas como “grupos da morte”. NR

*Os nomes dos envolvidos não foram revelados para não prejudicar sua identidade.

 

Fonte: Grupo Independente 

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